quinta-feira, 2 de junho de 2011

Declaração de voto

Estas são umas eleições muito especiais. Pela 1ª vez desde que posso votar que apareceram partidos cujo programa eleitoral é para entregar o controlo do país a potências estrangeiras e aos “mercados” financeiros, e logo os 3 partidos do “arco do poder”!? Pela 1ª vez desde que sou vivo que sinto a soberania do meu país em perigo. Pela 1ª vez desde que sou vivo a esquerda, que eu considerava radical, aparece com propostas mais sensatas e razoáveis que PS, PSD e CDS.

A renegociação da dívida pública portuguesa, caso a balança do poder dentro da EU não mude a favor dos partidos keynesianos, vai ser inevitável, e esse é o ponto fulcral: PS, PSD e CDS nem falam do assunto, preferem entregar-se nas mãos dos carrascos do país (devem estar à espera de algum tipo de benevolência, o que revela uma infantilidade grosseira para quem quer governar 10 milhões de pessoas), enquanto que BE e CDU reconhecem a situação de quase catástrofe das finanças públicas portuguesas e apresentam propostas que, apesar de conduzirem a um quadro de grandes dificuldades económicas para o país, podem efectivamente ser a solução para evitar o descalabro económico e social em Portugal. Além disso, a renegociação da dívida portuguesa pode ser a bomba atómica que vai fazer despertar os restantes países europeus e isolar os liberais aos olhos dos restantes eleitorados europeus.

Chegado aqui a minha escolha, tendo em vista a utilidade do meu voto (os pequenos partidos que me perdoem, mas vou votar para tentar eleger efectivamente algum deputado), fica entre a CDU e o BE. Eu, que nunca votei em nenhum destes partidos, vou votar naquele que apesar de tudo tem dentro dele algumas pessoas que eu reconheço como sendo ideologicamente social-democratas, ou seja, que reconhecem que é preciso dar um bom grau de liberdade à iniciativa privada para fazer a economia crescer e estar apta a lidar com a evolução económica mundial que virá. Portanto, voto BE, e espero que muita gente vote comigo no distrito de Aveiro pois isso significa também retirar deputados ao PSD, o mais incoerente projecto governativo a votos.

As melhores criações da Natureza...

Imogen Thomas

Sacada daqui!

Música do dia

Isto já anda fora de controlo...


Ontem à noite o Bloco de Esquerda foi atacado nas Caldas da Rainha. Também ontem à noite a CDU foi atacada em Lisboa. Em comum, têm o facto de dois partidos de esquerda serem atacados por neonazis/neofascistas. Em comum também, têm o facto de, até esta hora, estas notícias não aparecerem em nenhum media nacional. Espero então que se me der na cabeça para espancar algum cabeça rapada (literalmente ou ideologicamente) do CDS ou do PSD também isso não apareça em lado nenhum da nossa comunicação social. É que nem toda a gente tem a cultura de dar a outra face... Perceberam, seus filhos da puta?

PS: Não compreendo como é que o PNR ainda consegue ir a eleições... Ou melhor, percebo que PSD e CDS não queiram acabar com os neonazis. Afinal, alguém tem de fazer o trabalho mais sujo...

Resumo das mensagens de campanha...

... para os eleitores de PS, PSD e CDS:


Vai haver tanta gente com um andar estranho no próximo dia 5...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vamos lá hackear estas eleições!


Este post que se segue é uma tradução, livre e efectuada por mim, da página espanhola que referi aqui:

Entende-se por “hackear” eleições o voto intencional para manipular a fórmula de Hondt e evitar o bipartidarismo, ou seja, que se apresentem a eleições dezenas de partidos políticos e que só 2 tenham a maioria dos mandatos. O objectivo é conseguir que os partidos maioritários percam mandatos drasticamente para os partidos minoritários. Se existissem mais partidos no parlamento os lobbies empresariais não teriam tanta facilidade para manipular os políticos como nos mostrou a Wikileaks (…).

Depois de apresentada a definição e o objectivo deste artigo, comecemos então a aprender como hackear eleições!

Resumindo o resto do artigo, para hackear umas eleições e não deixar que os partidos maioritários ganhem com muitos mandatos de diferença:

  • Votem em partidos minoritários que tenham alguma possibilidade de eleger deputados no vosso circulo eleitoral;
  • Nunca, jamais, votem em branco. Prejudica gravemente os partidos minoritários;
  • Não votem nulo, que não serve para nada;
  • Não se abstenham, que não serve de nada.

As melhores criações da Natureza...

Tara Moss

Sacada daqui!

Música do dia

É só para avisar os eleitores de PS, PSD e CDS...

... que existem melhores maneiras de subir na vida...


Vai haver tanta gente com um andar estranho no próximo dia 5...

terça-feira, 31 de maio de 2011

As dívidas públicas incobráveis e um povo que não se importa de ser humilhado

(Imagem sacada daqui e editada por mim)


Entretanto, em Portugal, parece que a maioria dos eleitores vão votar em quem apoia as medidas que levaram todos estes países europeus à recessão e à dependencia dos "mercados". Vão votar em líderes (!?) submissos a Merkel, a chanceler que está quase a entrar para a História como a coveira da Comunidade Europeia. Vão votar em líderes submissos com os credores e arrogantes com os seus eleitores. Até Medina Carreira já percebeu que com as imposições do memorando da troika não vai ser possível pagar a dívida (embora eu aposte que vai ser uma epifania temporária e reduzida à questão das taxas de juro...). Mas já que o centro e a direita tanto gostam deste senhor, que tal darem crédito a estas afirmações e deixarem de atirar areia para os olhos dos eleitores? Chamem-me idealista se quiserem, eu tenho a certeza que sou só (mais) um realista.

 

Mas esta campanha tem tido uma coisa boa, que nem o fogo de artifício, os comentadores e as sondagens têm conseguido obscurecer. A esquerda tem tido um comportamento digno, tem-se esforçado com os meios limitados que tem, ao seu dispor, por mostrar aos eleitores o que está em curso: o equivalente de aquilo a que , num dia de lucidez, Soares chamou um grande embuste. A esquerda leu o acordo da troika e exigiu a auditoria pública das dívidas ( e disse Não pagamos a dívida dos bancos!) . A esquerda exigiu a identificação dos credores- porque o maior dos crimes foi a culpabilização da gente comum pelos propagandistas dos verdadeiros culpados. A esquerda recusou como solução a redução dos níveis de protecção social, educação, investigação, saúde, reconversão ecológica como remédio para a crise. Disse que a renegociação da dívida e das taxas de juro deveria ser feita agora, enquanto há força…Tenho orgulho dessa esquerda. Agradeço aos que lutam todos os dias. Aos que mantêm levantado o farrapo vermelho. E mesmo que no domingo estivesse sozinho face à urna, haveria de lhe entregar o meu papel. E dizer aos que mandam e aos colaboracionistas: não nos entregaremos nunca.
 
NESTA ELEIÇÃO NÃO SE VOTA NO CENTRÃO!

As melhores criações da Natureza...


Sacada daqui!

Música do dia

segunda-feira, 30 de maio de 2011

The revolution will not be televised


A acampada de Lisboa já dura à 12 dias. Pouco ou nada se vê nos noticiários e nos jornais sobre as Assembleias Populares que todos os dias ali tem lugar e juntam centenas de pessoas. Quem quer saber o que se passa tem de ler blogs na net. Blogs como o 5 Dias, o Adeus Lenine, o Vias de Facto, o Aventar ou o Indymedia.

A acampada de Barcelona já dura à quase 3 semanas. Pouco se vê nos media do lá que se tem passado. Pouco se falou da brutal actuação da polícia catalã, e menos ainda se mostrou de como acabou a tentativa de desalojar os indignados, feita com a desculpa que era preciso limpar a praça. [ironia on] É engraçado que a limpeza só encontrou tendas e mobiliário [ironia off]. Lixo, a sério, estava nos contentores adequados para o efeito, com os recicláveis nos sítios certos...

Em Portugal, talvez excitada com os níveis de testosterona demonstrados pela polícia de choque catalã, uma jornalista influente daqui do burgo resolveu fotografar aquilo que viu na acampada do Rossio. Pena só ter olhado para o local onde se junta o lixo, que depois segue para os contentores devidos. Mas é este o jornalismo "de referência" que temos, sempre pronto a olhar só para o que os donos querem que olhe. E os donos não gostam quando se fala do que não lhes dá jeito. Uns democratas, portanto...

Entretanto, a acampada de Coimbra continua mesmo sem a publicidade dos media. A mesma cidade onde os murais da CDU nas Escadarias Monumentais tanta polémica causaram (isto passou nas TV's e em todos os jornais), e os murais da JS já não causam nenhuma celeuma. Mais uma vez, é esta a comunicação social que temos em Portugal: sempre prontos a dizerem amen às vozes dos donos, sempre prontos a formarem mais carneiros e ovelhas para votarem nos partidos do "arco do poder".

QUANTOS DE VOÇÊS SÃO CARNEIROS E OVELHAS? Eu não sou, de certeza!

NESTA ELEIÇÃO NÃO SE VOTA NO CENTRÃO!

E, entretanto, preparem-se para o surgimento de movimentos sociais cada vez mais fortes. O poder político está podre. As pessoas estão fartas. E a revolução não vai ser televisionada...

As melhores criações da Natureza...


Foto por Michael Rosen. Sacada daqui!

Música do dia

domingo, 29 de maio de 2011

A Igreja vai mesmo defender os valores católicos?


É habitual nesta altura do campeonato (leia-se campanhas para eleições...) os padres abusarem da homilia para incitarem os fieis a votarem em partidos que defendam os valores católicos/cristãos. Normalmente os católicos entendem isso como uma ordem para votarem nos partidos de centro e de direita (PS, PSD e CDS, só para citar os maiores). Ironicamente foram estes os 3 partidos que assinaram o memorando da troika. O tal memorando que reduz a protecção social (subsídio de desemprego, abono de família) dos mais fracos, que vai ter como consequência o aumento do desemprego e o aumento da população em estado de necessidade/pobreza. Portanto, desta vez a Igreja vai estar a apelar ao voto nos partidos anti-memorando (de esquerda) ou a pedir aos seus fieis para votarem contra os valores que professam? Pensem nisto e pensem no que ouviram na(s) homilia(s)...

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Brigitte Bardot

Sacada daqui!

Música do dia

sábado, 28 de maio de 2011

Petição Pelo rigor na cobertura mediática do acordo com a "troika": um empréstimo não é uma ajuda



Continuando no tema dos media, uma das maneiras de ludibriar o comum cidadão é a utilização de expressões que suavizam a realidade. Um dos abusos de linguagem mais gritantes nos últimos tempos é chamarem o empréstimo da troika de "ajuda externa". Pelos vistos, se tivermos de pedir um empréstimo ao banco devemos chamar-lhe de "ajuda bancária"...

Por isso surgiu mais uma petição para obrigar os media a "chamar os bois pelos nomes". Assinem que é importante!

As melhores criações da Natureza...

Fernanda Agnes

Sacada daqui!