terça-feira, 31 de maio de 2011

As dívidas públicas incobráveis e um povo que não se importa de ser humilhado

(Imagem sacada daqui e editada por mim)


Entretanto, em Portugal, parece que a maioria dos eleitores vão votar em quem apoia as medidas que levaram todos estes países europeus à recessão e à dependencia dos "mercados". Vão votar em líderes (!?) submissos a Merkel, a chanceler que está quase a entrar para a História como a coveira da Comunidade Europeia. Vão votar em líderes submissos com os credores e arrogantes com os seus eleitores. Até Medina Carreira já percebeu que com as imposições do memorando da troika não vai ser possível pagar a dívida (embora eu aposte que vai ser uma epifania temporária e reduzida à questão das taxas de juro...). Mas já que o centro e a direita tanto gostam deste senhor, que tal darem crédito a estas afirmações e deixarem de atirar areia para os olhos dos eleitores? Chamem-me idealista se quiserem, eu tenho a certeza que sou só (mais) um realista.

 

Mas esta campanha tem tido uma coisa boa, que nem o fogo de artifício, os comentadores e as sondagens têm conseguido obscurecer. A esquerda tem tido um comportamento digno, tem-se esforçado com os meios limitados que tem, ao seu dispor, por mostrar aos eleitores o que está em curso: o equivalente de aquilo a que , num dia de lucidez, Soares chamou um grande embuste. A esquerda leu o acordo da troika e exigiu a auditoria pública das dívidas ( e disse Não pagamos a dívida dos bancos!) . A esquerda exigiu a identificação dos credores- porque o maior dos crimes foi a culpabilização da gente comum pelos propagandistas dos verdadeiros culpados. A esquerda recusou como solução a redução dos níveis de protecção social, educação, investigação, saúde, reconversão ecológica como remédio para a crise. Disse que a renegociação da dívida e das taxas de juro deveria ser feita agora, enquanto há força…Tenho orgulho dessa esquerda. Agradeço aos que lutam todos os dias. Aos que mantêm levantado o farrapo vermelho. E mesmo que no domingo estivesse sozinho face à urna, haveria de lhe entregar o meu papel. E dizer aos que mandam e aos colaboracionistas: não nos entregaremos nunca.
 
NESTA ELEIÇÃO NÃO SE VOTA NO CENTRÃO!

As melhores criações da Natureza...


Sacada daqui!

Música do dia

segunda-feira, 30 de maio de 2011

The revolution will not be televised


A acampada de Lisboa já dura à 12 dias. Pouco ou nada se vê nos noticiários e nos jornais sobre as Assembleias Populares que todos os dias ali tem lugar e juntam centenas de pessoas. Quem quer saber o que se passa tem de ler blogs na net. Blogs como o 5 Dias, o Adeus Lenine, o Vias de Facto, o Aventar ou o Indymedia.

A acampada de Barcelona já dura à quase 3 semanas. Pouco se vê nos media do lá que se tem passado. Pouco se falou da brutal actuação da polícia catalã, e menos ainda se mostrou de como acabou a tentativa de desalojar os indignados, feita com a desculpa que era preciso limpar a praça. [ironia on] É engraçado que a limpeza só encontrou tendas e mobiliário [ironia off]. Lixo, a sério, estava nos contentores adequados para o efeito, com os recicláveis nos sítios certos...

Em Portugal, talvez excitada com os níveis de testosterona demonstrados pela polícia de choque catalã, uma jornalista influente daqui do burgo resolveu fotografar aquilo que viu na acampada do Rossio. Pena só ter olhado para o local onde se junta o lixo, que depois segue para os contentores devidos. Mas é este o jornalismo "de referência" que temos, sempre pronto a olhar só para o que os donos querem que olhe. E os donos não gostam quando se fala do que não lhes dá jeito. Uns democratas, portanto...

Entretanto, a acampada de Coimbra continua mesmo sem a publicidade dos media. A mesma cidade onde os murais da CDU nas Escadarias Monumentais tanta polémica causaram (isto passou nas TV's e em todos os jornais), e os murais da JS já não causam nenhuma celeuma. Mais uma vez, é esta a comunicação social que temos em Portugal: sempre prontos a dizerem amen às vozes dos donos, sempre prontos a formarem mais carneiros e ovelhas para votarem nos partidos do "arco do poder".

QUANTOS DE VOÇÊS SÃO CARNEIROS E OVELHAS? Eu não sou, de certeza!

NESTA ELEIÇÃO NÃO SE VOTA NO CENTRÃO!

E, entretanto, preparem-se para o surgimento de movimentos sociais cada vez mais fortes. O poder político está podre. As pessoas estão fartas. E a revolução não vai ser televisionada...

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Foto por Michael Rosen. Sacada daqui!

Música do dia

domingo, 29 de maio de 2011

A Igreja vai mesmo defender os valores católicos?


É habitual nesta altura do campeonato (leia-se campanhas para eleições...) os padres abusarem da homilia para incitarem os fieis a votarem em partidos que defendam os valores católicos/cristãos. Normalmente os católicos entendem isso como uma ordem para votarem nos partidos de centro e de direita (PS, PSD e CDS, só para citar os maiores). Ironicamente foram estes os 3 partidos que assinaram o memorando da troika. O tal memorando que reduz a protecção social (subsídio de desemprego, abono de família) dos mais fracos, que vai ter como consequência o aumento do desemprego e o aumento da população em estado de necessidade/pobreza. Portanto, desta vez a Igreja vai estar a apelar ao voto nos partidos anti-memorando (de esquerda) ou a pedir aos seus fieis para votarem contra os valores que professam? Pensem nisto e pensem no que ouviram na(s) homilia(s)...

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Brigitte Bardot

Sacada daqui!

Música do dia

sábado, 28 de maio de 2011

Petição Pelo rigor na cobertura mediática do acordo com a "troika": um empréstimo não é uma ajuda



Continuando no tema dos media, uma das maneiras de ludibriar o comum cidadão é a utilização de expressões que suavizam a realidade. Um dos abusos de linguagem mais gritantes nos últimos tempos é chamarem o empréstimo da troika de "ajuda externa". Pelos vistos, se tivermos de pedir um empréstimo ao banco devemos chamar-lhe de "ajuda bancária"...

Por isso surgiu mais uma petição para obrigar os media a "chamar os bois pelos nomes". Assinem que é importante!

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Fernanda Agnes

Sacada daqui!

Música do dia

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Muitos portugueses comem palha mas cada vez mais eleitores informam-se e pensam pela sua cabeça


Já algumas vezes aqui escrevi sobre o papel dúbio que os media nacionais têm tido na divulgação das propostas dos vários partidos. Chegou-se ao ponto em que (finalmente!) algum tribunal aplica a lei e afirma que TODOS os partidos merecem O MESMO tratamento da parte da comunicação social. O acórdão é apenas sobre os debates televisivos frente-a-frente, mas não é difícil perceber que o mesmo devia acontecer com os noticiários. Só é pena não obrigar os partidos "grandes" a cumprirem os seus deveres perante os cidadãos.

Os media andam a dar palha aos portugueses à anos. Felizmente a internet, e essencialmente a blogosfera, tem conseguido furar o estreitamento de opiniões com que nos impingem as visões dos partidos dominantes. Ainda há muita gente mal informada sobre as reais opções nestas próximas eleições, mas graças ao esforço e partilha de informação de cada vez mais bloggers as escolhas editoriais de jornais, rádios e televisões, mais ou menos encapotadas e sempre subordinadas aos critérios e interesses dos patrões/accionistas, passam cada vez menos despercebidas. É necessário que quem está mais esclarecido seja capaz de argumentar com os menos esclarecidos e demonstrar as incoerências e incompetências gritantes dos partidos do "arco do poder". Esta é a missão de qualquer cidadão decente. Espero que também seja a de quem lê este post...

Por fim deixo-vos com a opinião de António Campos (que desconheço), encontrada algures nesta caixa de comentários: "É fundamental que votemos em 5 de Junho para que o PS sofra a sua merecida derrota. Para os eleitores menos informados e esclarecidos politicamente a sua preocupação deverá ser, votar no PSD ou no CDS. Devem derrotar de modo primário José Sócrates e a sua pandilha, não entendendo eventualmente outros aspectos do contexto em que nos encontramos.
Para os eleitores mais bem informados penso que os seus votos devem incidir nos partidos de esquerda, BE ou PCP, pois revelam também o seu vivo protesto contra a situação em que nos encontramos, e se procuram vislumbrar algumas alternativas consistentes à “ajuda externa” em que fomos envolvidos.
"

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Fanny François

Sacada daqui!

Música do dia

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vale tudo menos falar do que é importante


Quem soube prever a crise mundial avisa que terá de haver uma reestruturação da dívida grega. Quem já ganhou um Nobel da Economia também e estende o aviso a Portugal e Irlanda. As taxas de juro sobre as dívidas soberanas de Espanha, Itália e Bélgica não param de subir (são os próximos na lista dos "mercados"...). Claro que a nossa elite não presta atenção. Há sempre quem prefira ouvir Medina Carreira... Como eu já disse, é uma questão de incompetência cravada nos genes das elites portuguesas.

O que não tem piada nenhuma é que estamos em plena campanha para eleições legislativas e os partidos que assinaram o memorando da troika nada dizem sobre a situação dos países que levaram com a intervenção do FMI/BCE/UE antes de nós. Não convém à troika interna que se exponha o buraco que CDS, PSD e PS estão a continuar a cavar para o país, e os media ajudam ao não confrontarem os candidatos desses partidos com os resultados nos outros países. Estes partidos, por seu lado, fazem o tudo por tudo para encherem a agenda mediática nem que seja com tiros nos pés! Outra estratégia diária é o ataque ao carácter dos líderes partidários. E aqui faço minhas as palavras do Daniel Oliveira: "O meu problema não é isto ser debate. Participo nele e muitas vezes aqui escrevi sobre este tipo de assuntos. O meu problema é quando isto é todo o debate que sobra. Porque leva as pessoas ao erro quanto ao diagnóstico: se tudo se resume às características pessoais e éticas dos governantes, a Europa, a desregulação dos mercados financeiros, os erros no nosso modelo de desenvolvimento ou a desigualdade estrutural em todos os domínios da vida portuguesa ficam arredados de qualquer conversa. E são o que realmente conta. Muitos portugueses acreditam que chegámos aqui por causa do que aconteceu no País nos últimos seis anos. Claro que também foi por isso. Mas resumir os nossos problemas ao último governo e às questões domésticas é de tal forma absurdo, tem tão pouca relação com os factos, que é argumento que não se aceita em pessoas inteligentes e informadas que estejam de boa-fé num debate."  

Sinceramente começo a achar que a escolha no próximo dia 5 de Junho vai ser entre homens e mulheres que querem enfrentar um problema (BE e PCP) e crianças (CDS, PSD e PS) que se recusam a assumir as suas responsabilidades. Mais uma vez, repito: 

NA PRÓXIMA ELEIÇÃO NÃO SE VOTA NO CENTRÃO!

As melhores criações da Natureza...

Sila Sahin

Sacada daqui!

Música do dia