quinta-feira, 29 de setembro de 2011
A falácia das gerações estanques
"Armando Santos [Presidente da Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem] acrescenta, depois, algo que merece profunda reflexão: "A rede de convencionados, que demorou 30 anos a construir, vai ser desmantelada em três meses." Pois. É preciso ter a noção de que as instituições da nossa vida colectiva demoram muito tempo a levantar, mais ainda a afinar, a "rotinar" (no bom sentido). E ter a noção de quão grande estrago pode ser feito em pouco tempo, desmantelando o que nos entregaram.
Da caixa de ferramentas dos que querem reduzir os direitos sociais faz parte a noção de "saque sobre as gerações futuras". Dizem eles: se o Estado gasta demais a proteger as pessoas de hoje, vai endividar-se, deixando a conta para pagar às gerações futuras. Estaríamos, pois, a explorar os nossos filhos e netos e bisnetos. Usam este argumento, como se não estivéssemos, ao mesmo tempo, a trabalhar para quem vem depois. É a falácia das gerações estanques. Acho que valia a pena, além de rejeitar esta falsa lógica de nos querer tomar por "prisioneiros do futuro", dar atenção também ao património legado pelas gerações passadas. Devia ser condenável, e condenado, que o legado das gerações anteriores fosse desperdiçado. Destruir em meses um ambiente institucional que demorou décadas a construir é desperdiçar um legado.
A facilidade com que se pode destruir um legado destes dá a medida da fragilidade das instituições. Esse é, de modo geral, um dos nossos grandes problemas como país. E é preciso pensar nisto para lá da dialéctica governo/oposição no momento."
Porfirio Silva (sublinhado meu...)
A idiotacracia
"(...) como explicar a caridadezinha imposta de «ao aluno que deveria receber o dinheiro caberá seleccionar “aquela que deverá ser beneficiada”», introduzindo logo à nascença um factor segregador social [ou "elevador social", como falava o parolo dos chapéus na campanha eleitoral] dando como adquirido que o aluno premiado não pode vir de uma família carenciada?"
José Simões
"Mas há, nesta história, uma lição suplementar: para dar à solidariedade, tira-se ao mérito. Um ministro da educação que ensina aos nossos jovens que solidariedade e mérito puxam a corda para lados opostos… é um verdadeiro ministro da má educação."
Dia 15 de Outubro - Manifestação MUNDIAL
Lição de vida para os putos
Por muito que faças por merecer, vai aparecer sempre algum cretino a reclamar o prémio por ti.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Sorria, está a ser gamado!
Todo o país contribuiu para a criação e crescimento da GALP. E a GALP, quando teve problemas financeiros, teve sempre a mão dos sucessivos governos a ampará-la (e bem!). A energia é um daqueles sectores estratégicos para um país, dos que não podem andar ao sabor das marés (leia-se "mercados").
Agora que já vale milhares de milhões de euros e "em termos de explorações noutros países, a Galp detém já reservas de petróleo que garantiriam auto-suficiência a Portugal por cerca de 30 anos" (in Público), toca a vender a única companhia petrolífera portuguesa por meia dúzia de tostões e a desbaratar a segurança energética nacional: "Estamos a suprimir as ‘golden shares' que o Estado detém nestas empresas e depois vamos começar o processo de privatização nos sectores da energia, até meio de Setembro" (Passos Coelho)
Ainda vamos ter de pôr este governo na cadeia por traição nacional...
As voltas que se dão
"Concluí que a minha filha desempregada e o meu filho dentista com falta de clientes (ambos divorciados) têm de intentar acções judiciais contra mim, para eu ser CONDENADO a pagar 'alimentos' (no sentido legal do termo) aos meus netos. Porque, com uma sentença judicial, eu posso descontar essas despesas no IRS e, se ajudar voluntariamente, não posso...Se encontrar uma saída, transmito-a a todos os avós."
Juiz-Conselheiro (Jubilado) Mário Araújo Ribeiro
Post de Francisco Teixeira
Se o problema são os funcionários públicos, toda a Escandinávia já devia estar na bancarrota...
(gráfico sacado daqui)
"Portugal (azul) está abaixo da média da OCDE (vermelho) em termos de percentagem de funcionários públicos na população activa. Já os países escandinavos – Noruega, Finlândia, Suécia, Dinamarca – têm de ser o inferno na terra porque o “Estado gordo” é sempre mau e a sua redução é sempre boa, segundo o “pensamento” infantil que ainda domina o país."
Em breve vamos ter de comer os ricos
Mas entretanto, enquanto em Nova Iorque prosseguem os protestos, os ricos riem-se e bebem champanhe:
(vídeo encontrado no M12M)
Nem sabem o que os espera...
Á cara podre: agora a Cristas!
"No entender da oposição, a água não deve ser privatizada, algo com que a ministra até disse concordar, afirmando que «é um bem natural, de todos, que não é privatizável».
No entanto, advertiu, «quando falamos em privatização da AdP, estamos a falar da gestão da água ter sempre, ou não, uma gestão pública»."
TSF (oiçam a peça, por favor)
Isto lembra-me logo Saramago:
"Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos." in Cadernos de Lanzarote - Diário III
Aviso dos traders
"Para a maioria dos investidores não é uma questão de... não nos interessa como é que a economia vai ser resolvida, como é que eles vão resolver a situação. O nosso trabalho é fazer dinheiro com isso."
"Esta crise económica é como um cancro. Se voçê esperar, pensando que isto irá passar, tal como um cancro irá crescer até ser tarde demais. O meu conselho a todos é: preparem-se."
E depois temos os idiotas dos políticos alemães que só pensam em atirar as culpas para os outros. A única questão importante agora para Portugal é: mantemo-nos no euro até este colapsar e tentarmos fazer com que sejam todos os outros países a sair da moeda única, ou sair já e assumir as perdas actuais?
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Merkel quer guerra
E vai tê-la... Anda cá ó puta! Anda puta! Vamos ter uma conversinha muito interessante até o teu país se afundar... Vamos, vamos...
Está mais que na hora de Portugal e Grécia saírem do euro, a darem o máximo prejuízo possível à Alemanha. Não vale a pena continuar a jogar o jogo dos outros. Guerra é guerra! E para mim a UE acabou ontem.
Como mentir com os dentes todos da boca
Versão de Carlos Moedas, Secretário de Estado adjunto do 1º Ministro: “O cenário macroeconómico que servirá de base ao OE 2012 não é animador. O Governo está a trabalhar com uma previsão de recessão acima dos dois por cento, que poderá ir até perto dos 2,5%”. Só que, grande chatice, Portugal tem estado a crescer consistentemente no comércio externo, e o preço dos produtos petrolíferos tem vindo a descer, logo as únicas razões para a recessão se agravar são internas, mais concretamente as "medidas de austeridade". E assim um Secretário de Estado adjunto engana e destrói o seu próprio país...
Isto agora é de bolha em bolha?
O preço do ouro veio (vem?) por aí abaixo aos trambolhões. A explicação neoliberal deve ser algo como isto e até acredito nela, mas acho que os próprios investidores perceberam que estavam numa bolha... Podem seguir a actualização da cotação do ouro neste link do Financial Times.
(imagem sacada daqui)
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